O Despertar da Consciência

Esclarecimentos Doutrinários

"Areá destinada a esclarecer possíveis dúvidas dos estudiosos sobre os assuntos ventilados nos programas de Sebastião Camargo e/ou em suas palestras e seminários, bem como sobre quaisquer temas relacionados ao Ensino dos Espíritos (toda a obra kardequiana e obras complementares, inclusive as obras espíritas da atualidade)”.


Autoiluminação:

O papel da consciência desperta – autoiluminação
Antes de pretender, quem quer que seja, domar um Espírito mau, precisa cuidar de domar-se a si mesmo. […]
(KARDEC, A. Manifestações dos Espíritos, § VII: Da obsessão e da possessão. In: Obras Póstumas.  Rio de Janeiro: FEB. item 58..)
Só existe um mal a temer: aquele que ainda existe em nós.
(XAVIER, F. C.; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Sugestões no caminho. In: Sinal Verde. cap. 34.)
De nada nos valerá o conhecimento de todas as ciências do mundo, de tudo o que está fora de nós, se não conhecemos a nós mesmos.
(PASTORINO, C. T. Mensagem (139). In: Minutos de Sabedoria..)

Esclarecimentos:

Nos tópicos anteriores, abordamos superficialmente os procedimentos indispensáveis para reconstruir a espaçonave psicofísica e espiritual e o comportamento requerido para manter a harmonia do que foi reorganizado.

Allan Kardec e André Luiz advertem que o mal a ser domado é o que ainda existe em nós. O tempo urge e necessitamos transformar, com celeridade, as matrizes das causas fomentadoras das ações desditosas. É impostergável a realização dessa tarefa. Procrastiná-la equivale a devolver os talentos que nos foram confiados. Transferi-la significará retirar-nos do contexto ou até mesmo do planeta em que ora mourejamos.

Segundo Pastorino, de nada adiantarão os conhecimentos externos, se não conhecermos a nós mesmos. O apóstolo Paulo (1Co 13) estabelecera que, não obstante falássemos todas as línguas humanas e nos expressássemos até mesmo na língua dos anjos, dominássemos todas as ciências do mundo, tivéssemos fé a ponto de transportar montanhas, tudo isso de nada adiantaria se não houvesse a correspondente transformação dos impulsos interiores.

Afirmou ainda que, se distribuíssemos todas as nossas posses a fim de alimentar os menos favorecidos e se entregássemos o nosso próprio corpo para ser queimado, não havendo a consequente mudança dos valores íntimos, nada disso promoveria a gloriosa unificação dos eus – interno e externo: “A presente tribulação momentânea e leve nos dá um peso eterno de glória incalculável” (2Co 4:17).

Cap.10 Livro O Despertar da Consciência – do átomo ao anjo.

Segundo subtítulo dos Esclarecimentos Doutrinários:

A manutenção da saúde por meio da alimentação:

Sobre a Terra, os encarnados têm uma missão a cumprir; têm o Espírito que é necessário nutrir com o Espírito, o corpo com a matéria; mas a natureza da matéria influi sobre a espessura do corpo, e, por conseguinte, sobre a manifestação do Espírito.

Pode-se ser bom cristão e bom Espírita e comer à sua maneira, contanto que seja um homem razoável.

(KARDEC. A. Revista Espírita. São Paulo: IDE. julho de 1862.)

No estudo efetuado, desde o poema de abertura até a epígrafe deste tópico, evidencia-se que podemos perfeitamente nutrir o corpo com o espírito e o Espírito com a matéria, pois o espírito é a substância primordial, a matéria-prima formadora e nutridora de todas as formas de vida na Criação. Já o Espírito individualizado é a força organizadora e mantenedora da vida, atuando sobre essa matéria primordial. Ao agir, intelectualiza e aprimora essa essência, incorporando-a a si mesmo e enriquecendo-se espiritualmente:

[…] Todo sistema de alimentação, nas variadas esferas da vida, tem no amor a base profunda. O alimento físico, mesmo aqui, propriamente considerado, é simples problema de materialidade transitória, como no caso dos veículos terrestres, necessitados de colaboração da graxa e do óleo. A alma, em si, apenas se nutre de amor. Quanto mais nos elevarmos no plano evolutivo da Criação, mais extensamente conheceremos essa verdade. Não lhe parece que o amor divino seja o cibo (alimento – observação e grifo nossos) do Universo?

(XAVIER, F. C.; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Amor, alimento das almas. In: Nosso Lar. cap. 18…)

O amor, como elemento básico da vida, é o aluno; como consciência organizadora, é o professor. Num dos extremos, o amor é a substância que vivifica; no outro, é a lei que regulamenta e eterniza a forma do ser vivificado. Um ordena, o outro executa; um alimenta, o outro metaboliza.

É perfeitamente coerente o professor alimentar o aluno com as instruções iluminadoras de que dispõe. É justo pensar na possibilidade de que o aluno também alimente o professor com o conteúdo resultante da vivência libertadora da lição assimilada. “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”, sintetizou a poetisa Cora Coralina.

A energia permutada por meio dos relacionamentos saudáveis é fonte geradora de alimento fundamental para a manutenção da saúde: “Amai-vos uns aos outros, eis toda a lei. Lei divina pela qual Deus governa os mundos. O amor é a lei de atração para os seres vivos e organizados; a atração é a lei de amor para a matéria inorgânica” (888aLE).  O amor é o alimento e a Lei, simultaneamente. É a força mais potente do universo e, ao mesmo tempo, a mais sutil, como definiu o pacifista Mahatma Gandhi.

Cap.10 Livro O Despertar da Consciência – do átomo ao anjo.

INFORMAÇÕES DOUTRINARIAS

Em tempos de divisão e ânimos exaltados, A.K., o bom senso em pessoa...

"Enquanto ainda é tempo, revesti-vos, pois, da túnica branca: sufocai todas as discórdias, pois que as discórdias pertencem ao reino do mal, que vai ter fim. Que vos possais confundir todos numa mesma família e vos dar, do fundo do coração e sem pensamento premeditado, o nome de irmãos. Se, entre vós, houver dissidências, causas de antagonismo; se os grupos, que devem todos marchar para um objetivo comum, estiverem divididos, eu o lamento, sem me preocupar com as causas, sem examinar quem cometeu os primeiros erros e me coloco, sem vacilar, do lado daquele que tiver mais caridade, isto é, mais abnegação e verdadeira humildade, pois aquele a quem falta a caridade está sempre em erro, ainda que coberto de algum tipo de razão, porquanto Deus maldiz a quem diz a seu irmão: Raca. Os grupos são indivíduos coletivos que devem viver em paz, como os indivíduos, se, realmente, são espíritas; são os batalhões da grande falange. Ora, em que se tornaria uma falange, cujos batalhões se dividissem? Os que vissem os outros com olhos ciumentos provariam, só por isso, que estão sob má influência, desde que o Espírito do bem não pode produzir o mal. Como bem o sabeis, reconhece-se a árvore pelos seus frutos. Ora, o fruto do orgulho, da inveja e do ciúme é um fruto envenenado que mata quem dele se nutre.

O que digo das dissidências entre os grupos, digo-o igualmente para as que pudessem existir entre os indivíduos. Em semelhante circunstância, a opinião de pessoas imparciais é sempre favorável àquele que dá provas de maior grandeza e generosidade. Aqui na Terra, onde ninguém é infalível, a indulgência recíproca é uma consequência do princípio de caridade que nos leva a agir para com os outros como gostaríamos que os outros agissem para conosco. Ora, sem indulgência não há caridade, sem caridade não há verdadeiro espírita. A moderação é um dos sinais característicos desse sentimento, como a acrimônia, como o rancor é a sua negação; com acrimônia e espírito vingativo estragam-se as melhores causas, mas com moderação sempre agimos dentro dos preceitos do bom direito. Se, pois, eu tivesse de opinar em uma divergência, eu me preocuparia menos com a causa e mais com a consequência. A causa, sobretudo em querelas de palavras, pode ser o resultado de um primeiro movimento, de que nem sempre se é senhor; a conduta ulterior dos dois adversários é o resultado da reflexão: eles agem de sangue-frio e é então que se forja o verdadeiro caráter normal de cada um. Uma cabeça ruim e um bom coração muitas vezes caminham juntos, mas rancor e bom coração são incompatíveis. Minha medida de apreciação seria, pois, a caridade, isto é, eu observaria aquele que falasse menos mal de seu adversário, que fosse mais moderado em suas recriminações. É com esta medida que Deus nos julgará, pois que Ele será indulgente para quem tiver sido indulgente e inflexível para quem tiver sido inflexível."

- Allan Kardec.
(Viagem Espírita em 1862, 1ª parte, discurso III)

INFORMAÇÕES DOUTRINARIAS

Polêmica Espírita – Allan Kardec
 
Perguntaram-nos muitas vezes por que não respondíamos, em nossa revista, aos ataques de certas folhas contra o Espiritismo em geral, contra os seus partidários e por vezes mesmo contra nós. Cremos que em certos casos é o silêncio a melhor resposta. Além do mais, há um gênero de polêmica do qual tomamos por norma nos abstermos: a que pode degenerar em personalismo. Isto não só nos repugna, como nos tomaria um tempo que não podemos empregar inutilmente, além de ser muito pouco interessante para os nossos leitores, que assinam a revista para sua instrução e não para ler diatribes mais ou menos espirituosas. Ora, uma vez nesse caminho, difícil seria dele sair. Por isto preferimos nele não entrar. Parece-nos que com isto o Espiritismo só teria a ganhar em dignidade. Até aqui só temos que aplaudir a nossa própria moderação, da qual não nos arredaremos. Jamais daremos satisfação aos amantes de escândalos.
Entretanto, há polêmica e polêmica. Há uma ante a qual jamais recuaremos ? é a discussão séria dos princípios que professamos. Contudo, aqui também deve ser feita uma distinção. Se se trata apenas de ataques gerais, dirigidos contra a doutrina, sem um fim determinado, além do de criticar, e se partem de pessoas que rejeitam sistematicamente tudo quanto não compreendem, não merecem a nossa atenção. O terreno diariamente ganho pelo Espiritismo é resposta peremptória e lhes deve provar que os sarcasmos não têm produzido grande resultado. Ainda há a notar que as intermináveis pilhérias de que eram vítimas os partidários da doutrina vão se extinguindo pouco a pouco. É o caso de perguntar se há motivos para rir de tantas pessoas eminentes, pelo fato de adotarem as ideias novas. Hoje alguns esboçam um sorriso apenas por hábito, enquanto outros absolutamente não riem mais e esperam.
Notemos ainda que entre os críticos há muita gente que fala sem conhecimento de causa e sem se ter dado ao trabalho de aprofundar-se. Para lhes responder fora necessário, incessantemente, recomeçar as mais elementares explicações e repetir aquilo que já escrevemos, o que nos parece inútil. Já o mesmo não se dá com os que estudaram e nem tudo compreenderam e com os que realmente querem esclarecer-se, que levantam objeções de boa-fé e com conhecimento de causa. Neste terreno aceitamos a controvérsia, sem nos gabarmos de resolver todas as dificuldades, o que seria demasiada pretensão. A ciência espírita está em seu início e ainda não nos revelou todos os seus segredos, por maiores que sejam as maravilhas já desveladas. Qual a ciência que não mais possui fatos misteriosos e inexplicados? Confessaremos, pois, sem nenhum acanhamento, a nossa insuficiência sobre os pontos que ainda não podemos explicar. Assim, longe de repelir as objeções e as perguntas, nós as solicitamos, desde que não sejam irrelevantes e não nos façam inutilmente perder tempo com futilidades, pois que é esse um meio de nos esclarecermos.
É a isto que denominamos polêmica útil, e será útil sempre que ocorrer entre gente séria, que se respeita o bastante para não perder o decoro. Podemos pensar de modo diverso sem diminuirmos a estima recíproca.
Afinal de contas, que buscamos todos nessa palpitante e fecunda questão do Espiritismo? Esclarecermo-nos. Antes de mais nada buscamos a luz, venha de onde vier, e se externamos a nossa maneira de ver, não se trata de uma opinião pessoal, que pretendamos impor aos outros. Entregamo-la à discussão e estamos dispostos a renunciá-la, se nos demonstrem que estamos em erro.
Essa polêmica, nós a sustentamos diariamente, em nossa Revista, através das respostas ou das refutações coletivas que publicamos a propósito deste ou daquele artigo. Aqueles que nos honram com suas cartas encontrarão sempre a resposta ao que nos perguntam, toda vez que não nos é possível responder em carta particular, o que nem sempre é materialmente possível. Suas perguntas e objeções constituem outros tantos assuntos de estudo, de que nos aproveitamos pessoalmente; e nos sentimos felizes por estender esse proveito aos leitores, à medida que se apresentam fatos em conexão com as mesmas. Também sentimos prazer em dar explicações verbais às pessoas que nos honram com a sua visita e nas conferências caracterizadas por um cunho de entendimento, nas quais nos esclarecemos mutuamente.
(Revista Espírita – Novembro de 1858 – Polêmica espírita)
Fonte: https://www.kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/20/revista-espirita-jornal-de-estudos-psicologicos-1858/4461/novembro/polemica-espirita

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